sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O que é olhar coletivo?

Muitas pessoas têm a capacidade de abstrair quando o assunto não lhe interessa. Seja o motivo que for, simplesmente elas não ouvem. Mas, quando identificam algo de interesse, profissional ou pessoal, imediatamente voltam sua atenção, como se fosse a coisa mais importante do mundo. É o que chamamos de “ouvido seletivo”.
Na fotografia, existe um recurso muito semelhante no qual definimos qual plano nos interessa e que desejamos ressaltar, deixando todos os outros sem nitidez, ou seja, sem foco.  Isto funciona muito bem quando os planos que ficam atrás da cena principal são confusos e,  desta forma, dificultam a leitura da imagem, caso estivessem todos os planos em foco. Uma solução boa para separar o plano principal do restante da cena.

Tudo o que precisamos para chegar neste resultado é uma combinação de recursos: uma grande abertura do diafragma (f/4, f/2.8, f/1.8), somado à distância da câmera para a cena principal (plano em foco) e a distância da cena principal para o segundo plano. Quanto mais próximo à câmera estiver do primeiro plano e, este por sua vez, mais longe do segundo plano, maior o desfoque.
Outro fator que influencia é a distância focal das objetivas. As teles acentuam o desfoque, ou seja, deixam o fundo mais “borrado”. Já, as grande angulares minimizam esse efeito.
As objetivas mais “claras”, ou seja, que possuem aberturas maiores (f/1.2, f/1.4, f/1.8) normalmente são as mais valiosas. Não é à toa, já que trabalhamos com frequência em condições bem ruins de luz. Um ou dois f/stop, nesses casos, podem ser a diferença entre o registro de uma imagem e a captura de uma bela imagem e com boa qualidade para imprimir em página dupla no álbum dos noivos.
Trabalhar sempre em grandes aberturas pode ser arriscado e, algumas vezes, desnecessário. Arriscado porque a pequena profundidade de campo pode resultar em números consideráveis de imagens fora de foco. Principalmente nas situações em que as pessoas estão em movimento. Sempre digo que uma foto subexposta, tem conserto. Uma foto superexposta, clicada em RAW, também.

Porém, uma foto desfocada está condenada. Então, aí vai um conselho: considere fechar um pouco o diafragma, quando possível. Assim, você terá um maior aproveitamento em termos de foco e, além disso, as imagens terão maior qualidade e definição. Seja consciente ao trabalhar com a profundidade de campo. Muitas vezes, mesmo desfocado, o segundo plano tem algo a dizer. E o desfoque não pode ser tão forte a ponto de não conseguirmos definir o que está acontecendo lá.
Nem sempre a pequena profundidade de campo vai valorizar a sua fotografia. Um bom exemplo é quando fotografamos um grupo de pessoas, dispostas de forma que exista uma diferença de distância entre elas em relação à câmera. Se você usar uma grande abertura numa situação como essa, é bem provável que algumas pessoas ficarão desfocadas.

À medida que o diafragma é fechado (f/8, f/11) a profundidade de campo aumenta e isso resulta em mais planos em foco, ou seja, todas as pessoas do grupo – as que estão mais à frente e as que estão mais atrás – ficarão nítidas. E podem ter certeza que os noivos vão agradecer este cuidado. Afinal, quando se trata de amigos e convidados especiais, não dá pra ser seletivo.

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