A profissão de fotógrafo sofre terrivelmente, dada a nossa falta em denunciar, em tempo, os aproveitadores e embusteiros que, por carregar uma câmera, se dizem fotógrafos. Eles lotam nossas cidades, as páginas da internet. Gente que fotógrafos de verdade não aceitariam, sequer, para serem seus alunos. São uma espécie de peso morto que nos acompanha na medida que a fotografia avança em volume e qualidade.
O dano principal deixado por tais bandidos não é roubar clientes dos bons fotógrafos. Há uma parcela de clientes que se perde, mas são, em certo sentido, os piores. Os caçadores de preçinhos e promoções descabidas que, por não terem, gosto, bom senso ou dinheiro topam qualquer coisa.
O dano maior dos aventureiros é mais silencioso e no longo prazo tem um poder ainda mais destruidor: a mancha deixada sobre a imagem do fotógrafo profissional perante o resto da sociedade.
Trata-se daquele conjunto de atitudes que faz aparentar que fotografia é uma atividade que não requer sofisticação intelectual alguma ou domínio técnico específico sério. Faz parecer que é uma maneira daquele que não conseguiu outra coisa na vida, tirar alguns trocados.
O dano é serio, continuado e promete estourar nas novas gerações. Gente que vem estudando, pagando bons cursos superiores em fotografia, corre o risco de, chegando ao mercado de trabalho, ser confundida com o aventureiro picareta que cobra R$250 para fotografar um treco de alguma maneira.
O mais assustador é que não há muito a ser feito. Não há hoje no país uma certificação que se imponha como prova de que um fotógrafo é de fato um fotógrafo. Setores como TI, Gerenciamento de Projetos, Línguas e Direito já desenvolveram, cada um dentro de sua própria cultura, maneiras de separar aventureiros de reais profissionais. Seja uma prova da Ordem dos Advogados, um certificação de determinado aplicativo, uma prova de PMI ou um teste como o TOEFL.
Hoje, creio que a certificação é um futuro viável. Instituições que possam oferecer provas, sob critérios rígidos, com avaliações independentes, de que tal indivíduo domina certo conjunto de conhecimento e habilidades.
Até onde sei, não há, hoje, no mundo nenhuma instituição que ofereça esse tipo de certificação. Mas já algo próximo que pode ser usado como modelo: as certificação da Adobe, especialmente para produtos da Creative Suite.
Para os usuários deste tipo de software, há a opção de submeter-se a um teste rigoroso da própria Adobe o qual, se aprovado, lhe confere o título de Perito Adobe. O teste lhe dá o direito de portar marca Adobe Expert em seu material profissional o que, de certa forma, dá a este profissional legitimidade em um mercado que também sofria o ataque de curiosos e aproveitadores.
Alguém poderia pensar, do que interessa? Se o cara sabe, sabe. Uma marca Adobe Expert não faz o cara melhor. Eu respondo, é claro. Uma marca de certificação não faz ninguém melhor, mas dá visibilidade às capacidades e méritos do indivíduo e cria um nível mínimo elevado pelo qual todos os profissionais de uma carreira deverão ser conhecidos e avaliados.






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