Há alguns meses fui apresentado para uma frase, dita pelo brilhante Dr. Lair Ribeiro, durante uma palestra dele que eu fotografei para uma construtora de Balneário Camboriú.
A frase ressoou na minha cabeça e ficou martelando lá dentro por algum tempo, até que resolvi escrever este texto. Logo ao iniciar, lembrei-me de outra frase, de Leonardo da Vinci: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”.
Passei, então, a fazer uma autoavaliação e percebi que é exatamente a tal simplicidade que venho buscando desde o meu início na fotografia, e é a simplicidade que ainda busco hoje quando entrego um trabalho finalizado para os meus clientes.
Avaliando essa busca, notei também que ela é presente nos trabalhos dos fotógrafos que sempre admirei. Tive a certeza então de que, às vezes mesmo sem saber, a arte está buscando sempre simplificar.
E ao contrário do que parece, ou do que a própria palavra inspira fazer o simples não é fácil. Alcançar a simplicidade é algo realmente complexo!
O Dr. Lair Ribeiro contextualiza a frase: “Se você observa um indivíduo atravessando um cabo de aço de um prédio para o outro é simples, ele coloca um pé na frente do outro, mas não é fácil”.
Atravessar um cabo de aço, assim como fotografar, parece ser realmente algo simples, fotografar parece ainda mais do que se aventurar no alto de um prédio. Eis o motivo por que muitos mais se aventuram pela fotografia do que por andar num cabo de aço. Muitos estão movidos pela paixão, mas há também aqueles que enxergam na fotografia uma maneira rápida e fácil de ganhar dinheiro. Estes cairão sem dúvida do alto do prédio.
Uma recente publicação de uma revista, que dizia onde era possível tornar-se fotógrafo em um dia, engrossou o coro daqueles que, por ignorância, acreditavam que o ato de fotografar era simplesmente fácil. A esses as duas palavras se confundem, simplicidade e facilidade, e então entram em um mercado de trabalho que não exige qualificação profissional, mas que sem sombra de dúvida exige competência e qualidade.
Eis que superado o grande desafio de inserir-se no mercado – desafio este que se renova todos os dias – o fotógrafo então passa ao dilema do título deste artigo, o de simplificar as coisas.
E simplificar não significa empobrecer, pois como disse Da Vinci, a sofisticação está no simples.
O Dr. Lair diz que é preciso encontrar “a diferença que faz a diferença”. Talvez seja um projeto de anos, ou talvez de uma vida toda, buscar a tal diferença que faz a diferença, e que será o elemento fundamental da simplificação da vida e da sua fotografia.
Minha curta experiência, até aqui, neste mundo da fotografia, me trouxe alguns ensinamentos para essa busca da simplicidade. Não são fórmulas, nem dicas, mas talvez possam ajudá-lo a encontrar a essência mais simples do seu trabalho:
- Não se cobre tanto pelo que ainda não consegue fazer. Sei que ver lindos trabalhos de grandes fotógrafos causa um sentimento ambíguo de admiração e de frustração, porém entenda a frustração como seu passo inicial, não como o ponto final;
- Aprenda a fazer bem com o que tem. Isso é clichê, mas também é um aprendizado que custamos a entender. É possível fazer uma boa fotografia com uma câmera simples, e uma fotografia ruim com uma câmera boa. Equipamento ajuda sim, mas não deve ser o ponto forte e muito menos a vitrine do seu trabalho.
- A melhor luz é aquela que você sabe usar. Seja flash, led, luz ambiente, sol, a luz mais bonita é a que você usa com eficiência. Recorro novamente à um clichê: de nada adianta equipar-se com pincel, tinta e uma tela se você não sabe pintar bem.
- Quem parou de errar parou de aprender. Só depois de errar muito é que você aprende que vai continuar errando, errando, errando. E isso é ótimo. Se um dia parar de errar então é bom também parar de fotografar.
- Simplicidade não significa minimalismo. Fazer o simples na fotografia não significa que você precise se tornar um mestre na fotografia minimalista. Há belas fotografias simples que são composições extremamente complexas – mas que parecem simples – basta ver o trabalho de Cartier-Bresson para entender bem isso.
- Seja você mesmo. OK, novamente um bordão clichê. Mas de tão clichê, de tão simples, é tão difícil ver trabalhos que realmente sejam autorais, ou seja, sejam do autor, do fotógrafo. A busca por referências não pode, e nem deve, se transformar num espelho para repetições, onde a referência torna-se uma cópia, quase sempre mal feita.
- Alimente-se de referências o tempo todo, mas esvazie a mente ao fotografar. As referências, os trabalhos de outros fotógrafos, são importantíssimas para criar uma cultura, uma base, mas é importante também desconstruir-se de tudo e ter a mente vazia durante um trabalho. Isso por que você nunca terá as mesmas condições que aquele fotógrafo teve para fazer a sua foto, alguma coisa sempre estará diferente, portanto ter a cabeça livre para que ideias novas possam entrar é essencial.
- Por fim, cito Sócrates: Conhece-te a ti mesmo. É somente através do autoconhecimento que você realmente conhecerá o que realmente gosta de fotografar, a melhor maneira de fazer isso, o que te torna diferente dos demais e como alcançar a tal simplicidade.
Desejo que você encontre o caminho da simplicidade, da realização e da felicidade. Eu sigo em busca!
Para ilustrar o artigo, selecionei algumas das minhas primeiras fotos, dos meus primeiros seis meses na aventura da fotografia. Uma época onde ainda não vendia o meu trabalho, mas já buscava, talvez de forma inconsciente, a simplicidade daquilo que fazia.








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