sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Defina o seu publico

Existem milhares de fotógrafos em uma mesma metrópole. Mesmo dentro de uma mesma modalidade - moda, eventos, comercial, paisagens, há gente de todo tipo: iniciante, experiente, brutalmente original, não tão original, mas que criou uma receita de sucesso que repete há anos. Clássico, inovador, caro, barato, gordinho com cara de avô legal, malhadinho e os charmosos tipos de tons de cinza. Gente de todo tipo, para todo tipo de gente.

Do mesmo modo, existem milhões de clientes potenciais. Gente de todo tipo. Gente inteligente e sensível. Gente burra e grotesca. Ricos com quem você jamais deveria trabalhar e pessoas de menos posses que poderão vir a serem alguns dos melhores clientes de sua carreira.
Eu não sou o fotógrafo certo para 80% das pessoas que hoje procuram por fotografia profissional. Mas para 9% dos que estão aí fora procurando, eu sou uma escolha fantástica. E ainda, para 1% dos clientes, não haverá ninguém melhor que eu para satisfazer suas necessidades. É este valioso, inestimável público de 1 entre cada 100 clientes, esta gota preciosa neste oceano confuso que eu quero alcançar.
Como ora escrevo para fotógrafos, digo que uma das tarefas mais importantes do marketing do seu estúdio é fazer com que sua obra, seu comportamento e práticas comerciais atraiam o teu 1% de clientes e tire do seu caminho aqueles que só te darão dor de cabeça. A chave para esta pescaria é se definir. Cessar a operação atirador a esmo e começar a ser exato em suas buscas.

Minha fotografia é elegante. As cores são fortes, expressivas e vêm da pintura. A composição é clássica. A narrativa vem do cinema. Especialmente, se receber os recursos para tal, contarei histórias, com uso de roteiro, cenografia, figurino etc.
Desejo trabalhar em projetos sofisticados, em locações exóticas, cenografia e enredos elaborados. Utilizo as mesmas técnicas criativas e equipamentos dos melhores fotógrafos de moda do mundo.
Gosto de um ambiente de trabalho criativo, equipes dinâmicas, profissionalismo e excelência técnica.
Este sou eu e o que sou impõe certo custo de oportunidade. Sendo eu mesmo, abro mão de ser qualquer outra coisa e abro mão, assim, das oportunidades que estariam naturalmente vinculadas ao que não sou. É assim que funciona.

Esta parte é mais complexa do que parece. Antes de tudo porque a simples resposta: ricos, quero muitos clientes ricos não é, no fim das contas, resposta alguma.
Primeiro porque ricos é um termo genérico e difuso que não quer dizer nada além de indicar a renda disponível de um indivíduo. O termo não diz nada sobre o quanto deste excedente o "rico" estaria inclinado a gastar com você.
Eu não tenho interesse em clientes ricos. Tenho interesse em clientes que estejam dispostos a investir o seu excedente em minha fotografia. Não importa se meu cachê represente, no final, 2% ou 60% da sua renda mensal. Importa o quanto elas desejam, pois a muito aprendi que necessidade, desejo e vontade são os maiores operadores econômicos. Se alguém de classe média deseja minha fotografia, esta pessoa tem sim, com maior ou menor esforço, com algum prazo e planejamento, as condições de arcar com meus custos.

O meu cliente é inclinado a gostar de arte. Meu cliente sabe que eu sou um artista e que nisto há uma boa dose de arte, inteligência e dom envolvidos. Meu cliente aprecia o meu processo criativo, as ideias fora do comum e uma execução sofisticada. Meu cliente é capaz de discernir o impacto e qualidade visual das minhas imagens. Meu cliente não deseja receber 2000 fotos medíocres. Ele quer 20 fotos fantásticas. Meu cliente não quer um álbum de diagramação poluída, com apertadas. Ele quer um livro de arte do seu casamento com grandes fotos.
O cliente que quero atingir é aquele que me permita trabalhar da forma em que trabalho, aprecie o resultado que alcanço e que possa pagar o custo que este processo requer. Chegar a este cliente é um arte em si mesmo. Mas o primeiro passo é ter isto em mente, o tempo todo. Praticamente, todos os erros que cometi até hoje na promoção comercial do meu trabalho tiveram relação comigo não sabendo interpretar meu cliente padrão e não sabendo ajudá-lo a me encontrar e me entender.
Obviamente, se eu tiver que fotografar 30 projetos por mês eu não seria capaz de fotografar trabalhos detalhados e complexos. Não seria capaz de criar coleções exclusivas e originais. Teria de embarcar em algum tipo de modelo de produção em massa e fotografar até 300 trabalhos por ano. Não é o que eu faço. Por tanto, o montante ideal de projetos fica sempre limitado a ordem de 03 por mês e não mais que 24 por ano. Ou seja, somos um atelier de alta fotografia  e não uma empresa de produção em massa.
Claramente, isto me coloca na categoria de um fotógrafo caro. Não absurdamente caro, mas, definitivamente, acima do preço dos profissionais de base. Sem este racional financeiro não posso trabalhar. E sem estas condições, de fato, para o que faço, é melhor ficar em casa.

Enfim, um dos esforços mais inúteis no qual um fotógrafo pode gastar valiosa energia é na tentativa de conquistar ou manter um cliente que não procura o que vc tem ou deseja oferecer. Saber quem é você e quem precisará daquilo que você tem a oferecer é talvez a base, o elemento mais fundamental do marketing da fotografia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 Clique aqui e faça uma doação de qualquer valor