sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O valor de sua experiência

Como convergir o aprendizado obtido em fotografias melhores? Esse é o grande desafio e a grande missão de toda lição que nos é oferecida, a de ser eficaz na transformação. E sendo eficaz, isso se reverte para um aumento do valor do trabalho e do fotógrafo, e consequentemente mais lucro.

Porém, ao mesmo tempo em que crescemos e nos transformamos dentro da fotografia surge outra dúvida: como fazer nosso cliente observar tal mudança?
Aos olhos do cliente apenas dois aspectos estão envolvidos na formulação do valor: o tempo decorrido para execução do trabalho e o valor agregado dos produtos (livros, impressões, quadros, etc).
Isso significa que dificilmente seu cliente conseguirá reconhecer os valores intrínsecos do seu trabalho, e incluo nestes valores: o aspecto de singularidade da sua obra (a percepção do raro), a experiência, a cultura, a sensibilidade e o seu conhecimento.

Todos estes valores citados são necessários para a produção de uma fotografia, mas é somente a própria fotografia que se torna visível e palpável para o cliente. Todo o esforço “invisível” contido nesse simples ato de apertar o botão é igualmente invisível para o cliente.
Então como estabelecer o valor do abstrato, do invisível? Como colocar preço no conhecimento adquirido através de congressos, cursos, workshops, livros? Quanto cobrar pela experiência, pela sensibilidade, pela capacidade de detectar e resolver problemas com agilidade? Quanto cobrar por tudo aquilo que o cliente não vê?
É fácil colocar na tabela de custos o valor dos cursos, congressos, livros, etc. Difícil é mensurar o quanto estes mecanismos de aprendizado agregam de valor depois que o conteúdo foi assimilado e colocado em prática.

Felizmente não há, e nunca haverá, uma tabela ou uma fórmula exata para quantificar o quanto vale o conhecimento. Digo felizmente, pois, se houvesse então nossa fotografia perderia ser valor artístico para ter apenas um valor comercial, meramente fruto de uma tabela de preços.
Porém, essa feliz subjetividade também trás consigo um grande desafio e um problema, que é quando os fotógrafos (ou artistas em geral) não dão o devido valor ao próprio trabalho, cobrando valores irrisórios ou muito abaixo do que realmente valem.
Se não há fórmulas então estamos perdidos? Também não. Em especial os fotógrafos iniciantes têm mais dificuldades em mensurar o valor do seu conhecimento, mas é a própria experiência que nos mostra que devemos valorizar tudo aquilo que vamos agregando na vida para melhorar nossa fotografia.
Dar valor ao seu conhecimento é reconhecer seu próprio trabalho, e não somente valorizar o esforço físico e o tempo gasto para executar e tratar uma fotografia.
Obviamente que o esforço físico e o tempo também devem ser considerados na formação de preços – conforme disse no artigo Quanto custa seu tempo – assim como os outros elementos que compõe o valor de um trabalho, porém não devemos nos pautar somente sobre eles para formular nosso preço.
Fazendo um paralelo com as outras artes, sabemos que um pintor não estabelece o valor da sua arte pelo tempo que levou para pintar, nem um compositor cobra somente pelas horas que gastou para escrever, todos eles cobram por algo que não conseguimos enxergar, mas que podemos sentir.

E talvez esteja exatamente no sentir a resposta de todas as perguntas acima. Quando seu cliente sente emoção ao ver seu portfólio, quando é possível tocar o coração da noiva ao mostrar um vídeo, aí então está o reconhecimento também do seu cliente.
Seu cliente não verá as horas que você passará debruçado sobre livros, não terá ideia dos esforços que você fará para ir até um curso ou congresso, mas se todo esse esforço aplicado realmente se converter em uma mudança da sua fotografia, pode ter certeza: ele irá sentir.
Tendo este reconhecimento, é hora de colocar preço nele.
Como disse, não há uma fórmula ou um método para quantificar o conhecimento, mas há algumas dicas que talvez possam valer a pena:
- Valorize-se, acima de tudo! Valorizar-se não é apenas saber cobrar caro, mas ser justo consigo mesmo;
- Renove seu portfólio constantemente. Se estamos constantemente em processo de transformação, nosso trabalho também deverá estar. Atualizar o portfólio é mostrar para o seu cliente como é o seu trabalho atual;
- Aumente seu preço conforme o tempo. Não dá pra começar cobrando o máximo que você gostaria de ganhar. Aumente o preço gradativamente conforme o seu nível de conhecimento vai evoluindo. Um trabalho artístico não é pautado pelos índices da inflação, então não tenha medo de reajustar seus valores a cada seis meses ou um ano;
- Atenda uma fatia de mercado específica, assim você poderá direcionar seus aprendizados para esta clientela – veja sobre o assunto no artigo Preço Baixo x Diferencial;
- Pratique o que aprendeu. A dica é óbvia, mas sempre convém lembrar que o ensinamento não praticado acaba sendo esquecido. Aproveito para citar o grande mestre Paulo Freire: “A teoria sem a prática vira verbalismo, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade”.

- Tenha humildade para aprender e sabedoria para ensinar. Simples assim.
- Para todas as coisas há um sempre um jeito novo de fazer, uma forma diferente de operar. Então mantenha os olhos, os ouvidos e o coração abertos para tudo que possa lhe ser ensinado. Você nunca saberá tudo, e isso é uma dádiva!

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